Drummond era mineiro de poucas palavras — mas quando falava de amor, era impossível parar de ler. O amor na poesia dele é discreto e intenso ao mesmo tempo: vem com cheiro de jardim, gosto de domingo e um aperto no peito que não se explica.
Suas frases sobre amor são das mais bonitas da língua portuguesa. Sem exagero, sem drama — com a precisão de quem sabe que o amor é grande demais pra caber em qualquer definição.
O amor que não se explica
Drummond sabia que o amor foge de toda explicação. E fazia disso poesia.
Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis
— Carlos Drummond de Andrade
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse. Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
— Carlos Drummond de Andrade
Amor é o que se aprende no limite, depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida. Amor começa tarde.
— Carlos Drummond de Andrade
Amor não é completo se não se sabe coisas que só o amor pode inventar.
— Carlos Drummond de Andrade
Amor grande
O amor em Drummond é sempre grande. Grande demais pra caber numa janela — mas cabe.
O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
— Carlos Drummond de Andrade
Nossa capacidade de amar é limitada, e o amor infinito; este é o drama.
— Carlos Drummond de Andrade
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.
— Carlos Drummond de Andrade
Sinais do amor
Drummond ensinava a reconhecer o amor nos detalhes. Nas pequenas coisas que ninguém nota.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chega a apertar o coração: é o amor!
— Carlos Drummond de Andrade
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado: é o amor que chegou na sua vida
— Carlos Drummond de Andrade
Por isso, preste atenção nos sinais – não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.
— Carlos Drummond de Andrade
Amor cotidiano
O amor em Drummond não é épico. É de domingo, de portão, de segunda-feira.
Carlos, sossegue, o amor é isso que você está vendo: hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.
— Carlos Drummond de Andrade
Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.
— Carlos Drummond de Andrade
Entre as diversas formas de mendicância, a mais humilhante é a do amor implorado.
— Carlos Drummond de Andrade
Drummond escreveu sobre amor como quem confessa: em voz baixa, com vergonha boa, sabendo que está se expondo. E é justamente por isso que suas frases tocam tanto. Porque o amor dele é o nosso — imperfeito, cotidiano, grande demais pra caber em palavras. Como ele disse, o amor foge a dicionários. E ainda bem.
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