Clarice Lispector tinha medo. Ela mesma dizia isso — com uma honestidade que incomoda. Tinha medo de sentir demais, de não ser entendida, de ficar sozinha com seus próprios pensamentos. Mas é justamente por ter tanto medo que suas frases sobre coragem são tão poderosas.
Porque a coragem de Clarice não era a dos heróis. Era a de quem sente tudo com intensidade absurda e decide não fugir disso. A de quem olha pro abismo e, em vez de recuar, escreve sobre ele.
O medo como companheiro
Clarice não escondia o medo. Fazia dele matéria-prima.
O medo sempre me guiou para o que eu quero. E porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que eu amo é arriscado.
— Clarice Lispector
Tenho medo de esperar e nada acontecer.
— Clarice Lispector
Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.
— Clarice Lispector
Não entendo, apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir.
— Clarice Lispector
Coragem de ser quem se é
Pra Clarice, a maior coragem era se enfrentar. Não o mundo — a si mesma.
Que minha solidão me sirva de companhia. Que eu tenha a coragem de me enfrentar. Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
— Clarice Lispector
Ser feliz é uma responsabilidade muito grande. Pouca gente tem coragem.
— Clarice Lispector
Errado é você deixar de fazer alguma coisa com medo do que os outros vão pensar.
— Clarice Lispector
Coragem e covardia são um jogo que se joga a cada instante.
— Clarice Lispector
Força na solidão
A solidão de Clarice não era fraqueza. Era o lugar onde ela encontrava sua força.
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
— Clarice Lispector
Não tenha medo de meu silêncio… Sou um louco mas guiado dentro de mim por uma espécie de grande sábio.
— Clarice Lispector
Muitas coisas você só tem se for autodidacta, se tiver a coragem de ser. Em outras, terá que saber e sentir a dois.
— Clarice Lispector
A coragem de amar
Amar, pra Clarice, era o ato mais corajoso que existia. Porque amar é se expor.
No entanto como seria bom construir alguma coisa pura, liberta do falso amor sublimizado, liberta do medo de não amar… Medo de não amar, pior que o medo de não ser amado…
— Clarice Lispector
Quem, como eu, estava chamando o medo de amor? E querer, de amor? E precisar, de amor?
— Clarice Lispector
Tenho coragem? Por enquanto estou tendo: porque venho do sofrido longe, venho do inferno de amor mas agora estou livre de ti.
— Clarice Lispector
Clarice não pregava coragem. Ela a praticava — do jeito mais difícil possível: sentindo. Suas frases não dizem “não tenha medo”. Dizem “tenha medo e vá assim mesmo”. Como ela escreveu, o medo sempre a guiou para o que queria. E tudo o que amava era arriscado. Talvez viver de verdade seja exatamente isso.
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